O combustível, que responde por cerca de 30% dos custos operacionais das companhias, teve alta superior a 50% em abril, pressionado pelo mercado internacional de petróleo e pela política de preços da Petrobras.
Diante desse cenário, empresas passaram a reduzir frequências e suspender rotas menos rentáveis, movimento confirmado por dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que apontam milhares de voos retirados da programação nacional.
Na região norte, o impacto é desproporcional. O Amazonas lidera a queda, com cerca de -17,5% na oferta, seguido pelo Pará (-9,0%). Entre as capitais, Manaus, Belém, Rio Branco, Porto Velho, Boa Vista e Macapá registram redução de frequências, sobretudo em ligações regionais e voos de menor demanda, justamente os mais sensíveis ao custo do combustível.
O efeito vai além das companhias aéreas. A retração atinge diretamente concessionárias como a VINCI Airports e NOA, responsáveis por aeroportos estratégicos da região, além de operadores logísticos, empresas de ground handling, abastecimento e manutenção. Menos voos significam menor movimentação de passageiros e cargas, impactando receitas aeroportuárias, contratos terceirizados e empregos ligados à operação.
Em cidades do interior, o cenário é ainda mais crítico. Aeroportos como Tefé, Tabatinga e Santarém dependem quase exclusivamente da aviação para integração regional.
A redução de voos implica menor conectividade, aumento no preço das passagens e risco de isolamento logístico.
Para o setor, o momento marca uma inflexão: após um período de expansão da aviação regional, o avanço dos custos força uma reconfiguração da malha, concentrando operações em rotas mais lucrativas. Na Amazônia, essa lógica expõe uma fragilidade estrutural, onde voar não é apenas demanda de mercado, mas necessidade básica de mobilidade.

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