Qual o elo de ligação do alargamento da praia de Balneário Camboriú com a dragagem do Rio Tapajós?

Balneário Camboriú e praia do Rio Tapajós

Você sabe qual a relação entre o alargamento artificial da faixa de areia da praia de Balneário Camboriú (SC) e o protesto de povos indígenas em Santarém, no estado do Pará? 

A DTA Engenharia, empresa responsável pela obra que transformou a orla do município catarinense em símbolo de polêmica ambiental, está liderando o pregão do governo federal para a dragagem do rio Tapajós — um dos três rios amazônicos convertidos em hidrovias para transporte de soja. O processo de dragagem tem anuência através de um decreto presidencial, assinado pelo presidente Lula em 2025.  

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Entre as obras do portifólio divulgado no site da empresa, a DTA Engenharia, sediada em São Paulo, tem o alargamento da praia central de Balneário Camboriú e a dragagem de aprofundamento do Porto de Santos.

BALNEÁRIO CAMBORIÚ 

O alargamento artificial da praia de Balneário Camboriú, concluído em 2021, foi uma obra de engenharia para aumentar a faixa de areia de 25 para 70 metros com o objetivo de conter a erosão e fomentar o turismo. Embora licenciada, a obra gerou intenso debate sobre seus impactos ambientais, como a destruição de ecossistemas marinhos, poluição e rápida erosão posterior.

- O que foi o projeto: A ação, conhecida como "engorda" da praia, utilizou dragas para retirar 2,2 milhões de metros cúbicos de areia do fundo do mar e depositá-la na costa, custando cerca de R$ 68 milhões.

 - Controvérsias e Impactos: Pesquisadores da UFSC apontam que o alargamento não resolve a erosão a longo prazo, podendo aumentar a turbidez da água, impactar a fauna marinha e causar mudanças na textura da areia.

 - Erosão Rápida: Em 2023, menos de dois anos após a obra, o mar engoliu cerca de 70 metros de areia em um trecho da Barra Sul, o que especialistas já previam como consequência da tentativa de deter o avanço do mar apenas com adição de sedimentos (areia).

MANIFESTAÇÃO

Desde o fim de janeiro, cerca de mil indígenas ocupam a entrada do terminal da empresa multinacional Cargill em Santarém. Os manifestantes também bloqueiam a BR-163. 

Na última quarta-feira (4), chegaram a interditar o acesso ao aeroporto da cidade, para exigir a revogação do decreto 12.600.

Enquanto isso, a Convenção 169 da OIT, que garante a consulta livre, prévia e informada a povos indígenas e comunidades tradicionais antes de obras que afetem seus territórios, segue ignorada. As comunidades não foram ouvidas.


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