A DTA Engenharia, empresa responsável pela obra que transformou a orla do município catarinense em símbolo de polêmica ambiental, está liderando o pregão do governo federal para a dragagem do rio Tapajós — um dos três rios amazônicos convertidos em hidrovias para transporte de soja. O processo de dragagem tem anuência através de um decreto presidencial, assinado pelo presidente Lula em 2025.
Entre as obras do portifólio divulgado no site da empresa, a DTA Engenharia, sediada em São Paulo, tem o alargamento da praia central de Balneário Camboriú e a dragagem de aprofundamento do Porto de Santos.
BALNEÁRIO CAMBORIÚ
- O que foi o projeto: A ação, conhecida como "engorda" da praia, utilizou dragas para retirar 2,2 milhões de metros cúbicos de areia do fundo do mar e depositá-la na costa, custando cerca de R$ 68 milhões.
- Controvérsias e Impactos: Pesquisadores da UFSC apontam que o alargamento não resolve a erosão a longo prazo, podendo aumentar a turbidez da água, impactar a fauna marinha e causar mudanças na textura da areia.
- Erosão Rápida: Em 2023, menos de dois anos após a obra, o mar engoliu cerca de 70 metros de areia em um trecho da Barra Sul, o que especialistas já previam como consequência da tentativa de deter o avanço do mar apenas com adição de sedimentos (areia).
MANIFESTAÇÃO
Desde o fim de janeiro, cerca de mil indígenas ocupam a entrada do terminal da empresa multinacional Cargill em Santarém. Os manifestantes também bloqueiam a BR-163.
Na última quarta-feira (4), chegaram a interditar o acesso ao aeroporto da cidade, para exigir a revogação do decreto 12.600.
Enquanto isso, a Convenção 169 da OIT, que garante a consulta livre, prévia e informada a povos indígenas e comunidades tradicionais antes de obras que afetem seus territórios, segue ignorada. As comunidades não foram ouvidas.

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