A investigação da Promotoria de Justiça de Porto de Moz, por meio do promotor de Justiça Drummond Ataíde Moraes, identificou um grave quadro funcional, com aproximadamente 70% dos servidores sem vínculo efetivo, além de diversas situações de nepotismo - com parentes do prefeito, do vice-prefeito e de vereadores ocupando cargos comissionados, funções de confiança e contratos temporários vinculados à estrutura administrativa, sem existência de concurso público ou processo seletivo regular.
Para o MPPA, a situação indicava a existência de um sistema amplo de favorecimento familiar e político, incompatível com os princípios constitucionais da moralidade, da impessoalidade e de acesso aos cargos públicos. De acordo com o PJ Drummond Moraes, o problema não se limitava a uma nomeação isolada ou a cargos políticos de primeiro escalão, alcançando funções de assessoramento, atividades técnicas, funções administrativas, contratos temporários e até servidores vinculados à Procuradoria Jurídica de Porto de Moz.
Antes de recorrer ao Judiciário, o Ministério Público expediu uma recomendação para exoneração dos servidores em situação irregular e para proibição de novas nomeações incompatíveis com a Constituição Federal. Apesar da concessão de prazo para regularização, não houve qualquer atuação pela Prefeitura, que já havia sido condenada em primeira instância por prática de nepotismo.
Ao analisar o pedido, a Justiça considerou que o prefeito foi formalmente informado das irregularidades, recebeu prazo para corrigir a situação e ainda assim não demonstrou o cumprimento das medidas recomendadas. A decisão também apontou risco à investigação, já que documentos e possíveis testemunhas permanecem sob a estrutura administrativa comandada pelo gestor.
Segundo a Promotoria, "há um quadro estrutural de favorecimento familiar, capaz de comprometer a moralidade, a impessoalidade e a eficiência da Administração Pública, além de enfraquecer a independência do Poder Legislativo quando parentes de vereadores são mantidos na estrutura do Executivo indevidamente". Nesse sentido, a atuação do órgão busca assegurar que os cargos e funções públicas sejam preenchidos de acordo com critérios legais, objetivos e impessoais.

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