É pequena a probabilidade da cassação do vereador de Santarém que tentou atropelar indígenas

Vereador Malaquias Mottin

Na tarde de terça-feira (10), a Câmara de Santarém, aprovou abertura de processo de cassação, contra o vereador bolsonarista, Malaquias Mottin (PL). Movimentos indígenas protocolaram o pedido de cassação contra Malaquias, na manhã de segunda-feira (9). O vereador é acusado por manifestantes de tentar atropelar um grupo de indígenas na noite de quinta-feira (5), na avenida Tapajós. No local está ocorrendo uma manifestação contra a dragagem do Rio Tapajós.

Nos diversos pedidos de cassação protocolados na Câmara de Santarém, nenhum apresenta um embasamento técnico/político que possa de fato cassar o mandato de Malaquias Mottin. O prazo máximo para a apresentação do relatório final sobre o pedido de cassação é de 90 dias. Abaixo entenda as bases políticas e jurídicas para a cassação do mandato de um parlamentar. 

Dimensão jurídica

A parte jurídica entra quando há violação da lei, como por exemplo:

  • crimes comuns ou eleitorais;
  • improbidade administrativa;
  • corrupção, fraude ou uso indevido de recursos públicos;
  • condenação judicial transitada em julgado (ou, em alguns casos, decisão colegiada).
Nesses casos, o Poder Judiciário (Justiça Eleitoral ou Justiça comum) pode:
  • suspender direitos políticos;
  • declarar perda do mandato;
  • tornar o vereador inelegível (Lei da Ficha Limpa).
Ou seja, a base jurídica fornece o fato e a prova.

Dimensão política

Já a cassação dentro da Câmara Municipal é, essencialmente, um ato político, porque:
  • é decidida pelos próprios vereadores;
  • ocorre por meio de votação em plenário;
  • leva em conta quebra de decoro parlamentar, ética e conveniência política.

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