A informação foi confirmada pelo portal de notícias UOL através de fontes diplomáticas em Washington e em Caracas (Venezuela).
Os contatos dos irmãos Rodríguez aconteciam sobretudo com o embaixador americano Richard Grenell, designado por Trump como enviado presidencial para missões especiais na Venezuela, e sua equipe. Conversas tratavam sobre os interesses de Washington de obter acordos com o regime chavista para exploração das reservas de minério e petróleo do país, e para a repatriação de centenas de milhares de imigrantes venezuelanos que entraram de modo irregular nos EUA nos últimos anos.
Foi com Delcy Rodríguez e Jorge Rodríguez que Richard Grenell negociou, logo nas primeiras semanas do segundo mandato de Trump, a libertação de seis americanos presos na Venezuela sob acusação de terrorismo, sem contrapartida por parte dos EUA além de uma foto do embaixador americano apertando a mão de Maduro.
Segundo o UOL apurou, na ocasião, Delcy havia se mostrado disposta a liberar dois dos prisioneiros dos EUA e demonstrou incômodo com a perspectiva de que, na visita à Venezuela, Grenell se encontraria com a líder da oposição Maria Corina Machado.
O embaixador teria feito uma contraproposta à então vice-presidente venezuelana: falaria com Corina apenas por telefone, em troca de oito prisioneiros. Delcy aceitou a oferta, mas barganhou, oferecendo a libertação de seis detentos. Com o acordo fechado, os seis embarcaram ainda em uniforme de presidiários em um avião presidencial dos EUA, ao lado de Grenell, no dia 31 de janeiro de 2025.
O pragmatismo e a competência demonstrados pela vice-presidente Delcy agradaram aos americanos — inicialmente interessados na exploração da maior reserva de petróleo do mundo e muito menos focados em questões como a democracia. Nos últimos meses, a então vice foi se consolidando como uma interlocutora de cada vez mais confiança, enquanto os contatos de Grenell com Corina se mostraram pouco frutíferos para que ela o convencesse — e à Casa Branca — de que teria condições efetivas de comandar o país e garantir os negócios petrolíferos, caso seu grupo assumisse o Palácio Miraflores (Venezuela).

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