- Por José Ronaldo Campos
Dirigir em Santarém não é tarefa fácil: é exercício diário de paciência. Imperícia e imprudência andam de mãos dadas, como se o trânsito fosse um parque de diversões sem regras.
Condutores seguem ao telefone, ignoram a sinalização e conduzem sem a devida atenção, olvidando a lei da física. Quem deseja chegar inteiro ao destino precisa dirigir por si e pelos outros, essência da direção defensiva. Some-se a isso a embriaguez ao volante, presença recorrente e perigosa, verdadeiro retrato do caos.
Multas, câmeras e blitzes pouco resolvem. O problema é cultural. Falta educação no trânsito, falta empatia, falta noção de coletividade. Muitos motoristas não sabem dirigir; o pedestre, por vezes, também não colabora. A ignorância não se esconde. E, ao fim, de um modo ou de outro, alguém sempre termina, sem esperar, envolvido em acidente. Só Deus na causa.
Não gosto de buzinar. Mas, em determinadas ocasiões, é o único recurso para evitar mal maior. Abusa-se da paciência alheia como se ela fosse infinita. E, se alguém se incomodar, paciência: conflitos no trânsito são faíscas perigosas, capazes de gerar situações inesperadas e com graves consequências, amigo leitor.
Quando o acidente acontece, como já aconteceu comigo, mesmo com seguro, o prejuízo é evidente. Não há como escapar do dissabor do sinistro, do desgaste do embate e da burocracia administrativa que se segue.
Dirigir bem, por aqui, é mais do que obedecer às regras: é ato de civilidade, empatia e autopreservação. Relevar os erros alheios, evitar o confronto e praticar a direção defensiva não é sinal de fraqueza, mas de sabedoria. A sua paz vale mais do que qualquer razão.

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